“Com-pleto”

 

O vazio mais do que nunca tem estado presente na vida do homem. Nunca se ouviu tanto às pessoas se queixarem da falta de algo que pode ser representado ilusoriamente pelo amor, o trabalho, um amigo, o passado ou o futuro, etc.

  O Sujeito de Freud  tinha um teor de proibitivo, como o poder ou não ter relações sexuais, poder ou não desejar e até sonhar com o “pecaminoso”. Porem esse impasse do proibido marcava o sujeito como um ser desejante, um ser dividido, um ser de questões.

  Bom, quero chegar no sujeito do hoje, aquele que geralmente bate às portas da terapia imensamente angustiado, sentindo-se fora de lugar.

   Tenho recebido com certa frequencia pacientes que geralmente tem uma vida considerada estável. Um bom trabalho, um relacionamento, sem vícios, sem grandes desilusões na sua trajetória de vida ,…, sem desejo, sem divisões, sem questões.  Sujeitos que sofrem por nada faltar e que tentam enormemente dar um nome a essa falta da falta. Por isso buscam a terapia… precisam de um nome para esse vazio (falta da falta). Bom, e o que esperar… será que um nome, muitas vezes rotulado pela industria medicamentosa, poderá acender a centelha do desejo nesse sujeito sem faltas…

   Os Psicoterapeutas de hoje tem um arduo trabalho pela frente… não se deixar levar pelo caminho fácil e tentador de nomear a falta da falta… seria um tiro no escuro… e o alvo poderá ser a própria relação terapêutica.

O que fazer então… talvez trazer essa falta para o real… retirar da fantasia desse sujeito a sensação da completude, pois para um ser completo qualquer brecha é faltosa…

Em breve novas considerações… (deixemos faltar para que se abra questões)

Angelo Gustavo V. Lima

Psicoterapeuta CRP 4/32970

Clínica de Psicoterapia Vem Ser